sábado, 25 de dezembro de 2010

Oooooooba!
                E aí, tudo certo? Por aqui está tudo bem. Almoçamos (agora são 17h) e mais tarde vamos agitar a ceia! Vai rolar um risoto de camarão com um peixe grelhado e tal. É meu, o pessoal está empolgado aqui. E meu pai e o Dudu são meio exagerados né, com certeza vai ser comida pra muito mais gente do que nós quatro! Mas tranqüilo, aí não precisa se preocupar com o almoço de amanhã... de repente, nem com o jantar também!
                Eu não sou muito ligado ao Natal. Desde que parei de ganhar brinquedos, esse dia perdeu um pouco a graça. Eu gosto do clima na ceia, acho gostoso... mas não é mais aquele lance todo, aquela expectativa. É uma data legal, pronto.
Mas, claro, esse ano é diferente. No ano passado eu estava internado no Natal. Saí do hospital dia 28 de Dezembro. Por mais que eu não dê tanta importância à data, foi meio complicado passar daquele jeito. Ao mesmo tempo que o fato de estar um monte de gente comigo no quarto, toda minha família, a Jack, minha cunhada Andrea, foi muito legal, muito significativo pra mim. Eu me senti muito querido. Eu vi ali, de uma forma bem clara, que eu tinha muita gente pra me ajudar. Eu já sabia disso, mas foi muito bom... como se eu estivesse recebendo um abraço coletivo!
E pensando bem, na época eu nem tinha muita noção do que estava acontecendo. Eu estava internado a dois meses, não tinha começado a sentir o dia a dia, não tinha entendido direito ainda as restrições que aquela situação me traria.  E acho que é isso que me ajudou a atravessar esse ano. Eu não ficava tentando imaginar os problemas que eu teria, como seria fazer isso ou aquilo. Eu deixava a situação vir, e aí eu tentava me virar. É, porque não tinha um momento que eu não tivesse me adaptando. E se você for tentar lidar com o agora e o que ainda está por vir... um abraço, né! Não rola. Por isso que eu falo que esse meu jeito meio tranquilão, meio lesado até, foi muito importante. Porque, se você for ver, muita coisa eu não tinha como saber, inclusive porque muita coisa fugia do meu controle. Então, que bom que eu sou meio cuca-fresca e não ficava encanando com tudo, né!
Tivemos muitas surpresas nesse ano. E alguém já conseguiu se preparar pra uma surpresa? Heheh. Não dá! Já que vai ser difícil mesmo, deixa pra viver essa dificuldade quando ela aparecer, ué. É diferente de se preparar pra o caso de, sei lá, você bater o carro! Não existe seguro de intestino! Heheh. É tentar se preparar pra o que você não conhece. De verdade, eu acho burrice. Esse lance de querer ter tudo sobre controle... não é por aí. Assim só se arruma motivo pra se frustar. É aquela história de criar expectativa pras coisas. Ainda mais numa situação como a minha. Porque não é que aconteciam coisas, às vezes, que eu não conhecia. Eu vivia o desconhecido, mesmo. Eu não né, eu e todo mundo a minha volta.
Voltando. Aquele Natal foi muito... diferente, vai. Foi bem simbólico do que estava por vir... uma confusão, mesmo. A ceia do pessoal foi uma sopa no restaurante do hospital! Da mesma forma que é difícil pras pessoas saberem como é viver o que eu vivi, eu também não tenho noção de como foi passar aquele Natal comigo lá. Se eu perguntar, todo mundo vai falar que foi ótimo, porque  estávamos juntos e tal... Não dá pra comparar dores, tristezas, mas a deles com certeza foi muita.
Mas esse dia teve sua beleza, sim. Todos se esforçando pra transparecer alegria, me passar força... e de repente se fortalecerem também, já que também estavam no meio do furacão. Meus irmãos convenceram meus pais e eles foram, na tarde do dia 24 mesmo, comprar uns presentes pra gente, pra ajudar a dar um clima de Natal. A Jack deixou de passar o Natal com a família dela pra passar comigo lá. E não foi que ela comeu a ceia e depois passou lá. Ela chegou lá acho que devia ser 20h ainda. E foi embora bem tarde. Acho que o que todos nós pensamos, pra não ficar um clima melancólico, foi o fato de eu estar vivo, de estar lá... de estarmos todos lá. Porque eu acho que esse é o verdadeiro sentido do Natal, não é? Ficar todo mundo junto, estar perto de quem ama e tal. E eu estava. Os brinquedos e, mais tarde, as meias e cuecas, são só pra dar uma distraída!
Mas agora é diferente. O Natal voltou, ainda bem, a ser simplesmente um dia mais legalzinho, aquele dia que perdeu a magia desde que não ganho mais brinquedos. É engraçado pensar, mas é isso que eu quero do Natal, um dia um pouco diferente do demais. E só. Quero que a ceia seja tranqüila, sem muita coisa envolvida nela. Só uma ceia. Quero que a Jack passe com a família dela, ou não. Mas sem todo esse peso de eu estar internado. De repente o Daniel, que é casado, poderia querer passar com a família da Andrea. Tudo bem, problema dele com minha mãe heheh. Enfim, não quero mais ter nada feito pra mim. Não quero merecer tanta atenção... não essa atenção. Foi importantíssimo e eu nunca vou esquecer o que fizeram esse dia, a energia que me passaram. Eu sei muito bem a sorte que tenho por ter essas pessoas tão perto. Mas eu prefiro assim. Na verdade, eu prefiro o Natal do ano que vem, que vai voltar a ser mais como os outros anteriores. Eu vou ser só mais um a reclamar que estou com fome, que não precisa esperar a meia-noite pra comer a ceia! Vou encher o saco do meu pai pra ele liberar o whisky que a Stella trouxe. E vou estar ansioso porque não fechei nada pro réveillon, está tudo muito caro e eu quero ir pra praia!
O que importa não é o Natal. O que comemoramos no ano passado foi o fato de eu ter sobrevivido, de estar vivo. E agora o que estamos comemorando é que eu ganhei minha vida de volta. Vou poder viver do meu jeito, e não do jeito que dá. Aliás, minha mãe falou que quando eu saí da cirurgia, ela, depois de umas 40 horas sem dormir, foi pra casa descansar. Quando voltou, ao vê-la, eu falei “Você viu mãe, eu tô vivo!”. Legal, né. Pra mim, é isso o que importa. Mas agora é diferente, eu posso querer mais do que estar vivo. Eu posso querer o que eu quiser! Nem sei muito bem o que eu quero... acho que estava acostumado a não querer muita coisa pra não me frustrar. Mas agora não, agora é curintia! Heheheh.
É doido como as coisas mudam, né!  Impressionante, mesmo! Viu Daniel, fala isso aí pro seu amigo.
Um beijo grande e um Natal ótimo, muito feliz, pra todo mundo, de coração!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ooooopa!
         Então, agora está mais difícil pra escrever. Com meu irmão e meu pai aqui, ficamos menos tempo em casa, sempre tem alguém agitando alguma coisa. Aí em casa a gente fica conversando e tal. Mas sussa, imagino que quem lê o blog não está lendo tanto também... o pessoal vai viajar... sei lá, faz coisas mais interessantes nesses dias do que ficar lendo esse blog, né. heheh
         Mas está bem legal por aqui. Na sexta-feira fomos ao jogo do Indiana Pacers, de basquete. É impressionante como os caras organizam bem a parada. O jogo em si nem foi dos melhores. Aquele brasileiro, o Varejão, que joga no outro time, parecia que estava com sono! Mas nem importa, o que vale é o evento, desde o começo. O time entrando em quadra... cada intervalinho do jogo, tudo no jogo tem um lance, uma atração. E cada canto que você olha, em qualquer andar do ginásio, tem alguma coisa pra vender, tudo com a marca do time... os caras sabem mesmo ganhar dinheiro aqui.
         Depois do jogo fomos procurar algum lugar pra comer. O Dú queria comida mexicana. Achamos um que se chamava La Bamba. Mas podia ser La Bomba! Sério, o lance caiu pesado! Tirando a gente, todo mundo lá era mexicano. E eles já estão acostumados, pra eles é tranqüilo, pode por tudo no prato que não tem erro. Não era igual ao Taco Bell, ou os mexicanos do Brasil, onde é mais suave. Nossa, a gente ficou meio estufadão! Meu pai está conversando até agora com o rango!
         E com o carro está muito melhor. Parece que a gente está em outro lugar, outra cidade. A gente vê algum lugar legal, olha no Google Maps e vai. Não tem erro. Hoje o Dú viu uma loja e quis ir. Nossa, cruzamos a cidade inteira, era muito longe. Eu nem imaginava que a cidade fosse tão grande. Esse outro lado é totalmente diferente da região que a gente conhece. É a parte rica da cidade, tem umas mansões gigantes. E tudo aberto, nenhuma casa tem muro, ou grade. Nem pra rua, nem pra separar dos vizinhos. E quando chegamos lá vimos um monte de coisa e resolvemos dar uma volta pra conhecer. Tinha muito comércio, tudo quanto é tipo de loja. Mas na hora de ir pra um restaurante, não deu. Todos fecham às 22h! Muito nada a ver, todos os restaurantes fecham a essa hora. O que fica aberto são os drive-thru dos restaurantes fast-food. E só. Esses americanos comem muito cedo.
         Desde que os dois chegaram, já fomos a vários lugares. Teve o Indianapolis Museum of Art, o museu mais legal daqui, muito bom mesmo. Mas a gente ainda vai ter que volta lá, é muito grande. Acho que a gente deve ter conhecido metade só. Fomos também no museu do automobilismo, que fica dentro do autódromo onde rola aquela corrida das 500 Milhas de Indianápolis, de Fórmula Indy. Muito legal também! Mas a melhor visita foi a uma lojinha de donuts. É um lugar bem pequeno, tem só o balcão onde você vê os doces. Tudo bem simples, parece ser onde o pessoal do bairro mesmo vai, com a atendente que deve trabalhar lá a uns 50 anos e tal. O donuts de chocolate é absurdo, nunca comi um lance daquele, super leve, você come e nem percebe! E o pessoal compra umas caixas gigantes, com mais de vinte! Quando eu e o Dú chegamos lá na primeira vez e pedimos dois donuts, a mulher olhou pra gente até meio assustada “só dois?”. E a dúzia é 7,5 dólares, que deve dar uns 12 reais! Meu, acho que até eu seria obeso se morasse aqui... não tem como!
         E eu estou bem. Ainda fico enjoado de vez em quando, mas menos. Dia 3 de Janeiro eu vou fazer um exame de colonoscopia. Se mostrar que está tudo certo, dali a uma semana eu tiro a borseta! E provavelmente vai estar, já que eu faço exames de endoscopia de vez em quando e sempre dá tudo certo. Pra comer estou indo devagar. Tem vez que não tenho fome de nada. Mas disso eu desencano, deixo pro tempo resolver. O que eu faço é ficar esperto pra não passar do meu limite. É doido, eu estou comendo e de repente sinto que não dá mais. Se der mais uma garfada, eu passo mal. Então eu paro de comer na hora.
A pior coisa agora é mesmo a dor nas costas. Ainda mais agora, que a gente está saindo bastante, conhecendo lugares e tal, minhas costas incomodam demais. Eu fico com dor antes de me cansar... é um saco. Mas não posso ficar parado pra não sentir dor, né. Só vou melhorar me mexendo e forçando. Quando eu puder começar a fisioterapia, aí eu começo a melhorar mais rápido.  
          Hoje eu tirei uma foto do Dú abastecendo o carro. Aqui você que abastece o, né. É ruim por causa do frio, mas é muito mais prático, você passa o cartão, digita lá quanto quer pagar e pronto. Aí vocês já vêem nosso possante! heheh Mas eu gostei de verdade desse carro... só não precisava ser branco.
         É isso aí! Um beijo pra todo mundo!


sábado, 18 de dezembro de 2010

                Então, já está meio tarde aqui, aí vou só postar essas fotos e depois eu escrevo! Foi bem legal, fomos num jogo na NBA, nós quatro!
                Beijo pra todo mundo, e até mais!



Nós três assitindo Indiana Pacers x Cleveland Cavaliers... Vista de onde o ingresso é mais barato... e ainda assim é caro!

No fim do jogo, muito frio, indo comer no La Bamba!



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

         Faaaaala!
         Ontem fomos buscar meu pai e meu irmão no aeroporto! Os dois chegaram bem, apesar de terem dito que a viagem ter sido bem chata e cansativa. E não tem como ser de outro jeito, né... quase um dia inteiro entre aviões e aeroportos. Sorte de quem consegue dormir nessas horas! Minha mãe mandou ver o nariz vermelho quando os viu chegar! E meu pai parece que ficou emocionado quando me viu, achou que eu estava bem e tal. Legal, né! A gente estava com bastante saudade.
        E sim, fomos buscá-los de carro, eu dirigindo! Pilotando né, na verdade! Heheh. Puta carro classe, depois eu ponho uma foto aqui. A gente se deu bem porque o carro que eu tinha fechado de alugar era o mais barato, sem nada. Mas não tinha nenhum disponível no dia em que fomos tirar o carro na Locadora. Aí pegamos um cheio das firula, 2.0, automático e tal. Esquemão! É um Chevrolet, não lembro o nome, depois eu vejo lá, não tem no Brasil. Acho que chama HHR.
         E chegamos direitinho no aeroporto! Sem nos perder! Heheh. O frio continua aquela beleza!  Ontem, quando eles chegaram, a temperatura estava em - 12 graus. Hoje de manhã já estava - 14 graus, meu! Aí é sacanagem! Os dois ficaram assustados quando chegaram ontem!
         Foi muito legal encontrar os dois! Foi como se ficássemos um pouco mais perto do Brasil. Eles chegaram bem animados também, aí fica um clima meio de férias pra viagem aqui... e com o carro ainda por cima. É outro esquema, não ficamos mais dependentes dos horários da van, e podemos ir onde a gente quiser. 

        Aí fomos num restaurante que eu sempre tive vontade de ir, aqui. É um chinês classe! Muito bom, todo mundo gostou e comeu pra caramba. Até eu! Depois demos um tempo um tempo no shopping e fomos embora. Mas antes, estamos indo pro estacionamento, aí eu olho pra trás e... cadê os meus pais? Olhamos por ali e nada. Aí eu e o Dú fomos pro carro na esperança de eles terem ido pra lá por outro caminho, sei lá. Não foram. Então o Dú voltou e eu fiquei no carro esperando lá. Eu já estava com as costas doendo bem. Depois de uns 15 minutos o Dú voltou com os dois! O que rolou foi que eles pararam em uma loja e se perderam de nós. Aí meu pai foi perguntar pra um cara “eu preciso ir pra garagem, onde é a garagem?”. Assim mesmo, em português... ele não fala nada de inglês, né! heheh Seu Luiz é figura, fala em português com todo mundo aqui e, às vezes, funciona!
             É isso aí, vou dormir porque amanhã vamos acordar cedo pra agitar alguma coisa. Mas antes vou postar um vídeo do meu pai. Ele tomou quase uma garrafa de vinho inteira sozinho no almoço. Aí, depois que terminou, a gente tava ouvindo um sambinha, e ele se animou. Juntou o vinho com a alegria de estar aqui com a gente, de estar perto da Santinha, e deu nisso! Heheh Esse é o meu pai! Aumentem o som!


video


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

EPOPÉIA 6

                Bom, como não tenho mais novidades, vou voltar a escrever da epopéia, que faz tempo que eu parei. A última vez que escrevi foi antes da cirurgia, né.
                Eu parei no dia em que eu acordei do coma induzido lá né. Mas antes de continuar isso, preciso falar do que estava acontecendo na minha cabeça enquanto eu estava desacordado. Eu sonhei muito, mas em um nível muito profundo, a ponto de eu só ter descoberto que foi sonho, e não realidade, depois de um tempo, quando me contaram o que tinha acontecido de verdade. E ainda assim eu duvidei! Vai ser meio difícil escrever isso de uma forma clara, porque eu esqueci muita coisa, muitos detalhes, e a maioria das coisas eu não lembro a ordem com que aconteceram. Então, foi assim:
                Eu estava em casa. Aí, não sei o porque, mas ganhei um vale-pousada de algum amigo...que também não lembro quem. Valia um fim-de-semana em uma pousada em Juquehy, no litoral norte de SP. E eu fui. Essa pousada era uma pegadinha comigo, não era uma pousada e ficava uma galera numa mesa rindo de mim e tal. Eu não tinha onde dormir. E ficavam tirando uma com a minha cara. Pra todo mundo que eu pedia ajuda, riam de mim e me davam um tapa na orelha, uns empurrões, como se eu estivesse fazendo um papelão. E eu me incomodava muito com o que estava rolando, estava puto com tudo e tal, ninguém queria me ajudar... Aí eu resolvi sair correndo. Mas a pousada era bem na beira da estrada, da Rio-Santos, meio isolada. Voltei então pra pousada, pra tentar ajuda, mas não deixavam eu usar o telefone. A idéia era eu ficar o tempo todo lá, me ferrando. E o lugar era gigante. Eu corria pra tudo quanto era lado. Em todo lugar que eu achava alguém pra pedir ajuda, era a mesma coisa, a pessoa ria da minha cara e saía. Acho que fiquei quase um dia inteiro nessa pousada. Aconteceu um monte de coisas mais que eu não lembro mais. E eu estava preocupado, porque tinha que voltar logo pra casa. Eu e minha família estávamos com as passagens compradas pra ir visitar a Stella na Austrália. O detalhe é que ela mora no Reino Unido há mais de 10 anos. Nunca morou na Austrália!
Em várias partes desse sonho, é muito clara a conexão com o que estava acontecendo na realidade. Por exemplo, me contaram que nesses dias que eu fiquei em coma, eu tinha que ficar com aquela mascara de Bipap sempre. Eu já falei aqui sobre essa máscara de respiração, serve pra ajudar o pulmão. E ela é muito mais forte, é um furacão, uma pressão absurda de ar. Eu odiava aquilo. Mas, naqueles dias, era muito importante. Meu pulmão estava bem ruim. Mas eu ficava tentando tirar a máscara toda hora, não adiantava me falarem pra parar, eu estava inconsciente né, e toda hora tentava tirar a parada. Então os enfermeiros decidiram amarrar meus braços às grades laterais da cama. Mas, mesmo assim, eu ficava tentando me soltar. Quem estava lá fala que eu fazia muita força, usava os pés (que, depois, eles amarraram também), ficava me contorcendo todo, meio desesperado. E quando eu não estava com a máscara, eu tentava tirar os tubos que tinha no nariz, na boca... É, o que não faltava era tubo pra eu puxar! Heheh Mas, claro, não era uma cena muito legal de se ver, me disseram. E eles ficavam assustados e preocupados, porque eu estava muito fraco, precisava guardar minhas forças pra recuperação. Lembro do Daniel me falando que ficava impressionado, que eu chegava a fazer a cama se mexer, seus pés saírem do chão. Isso é um lance que não dá pra explicar, já que eu, nem estando zerado, na minha melhor forma (o que já não é lá muita coisa!), nunca conseguiria levantar uma cama daquela. Essas camas de hospital, pra quem não conhece, são muito pesadas, demais mesmo. Lembro que quando acordei, não entendi porque meus pulsos estavam tão machucados. Estava bem feio. Inclusive eu tenho até hoje umas cicatrizes no pulso esquerdo.  
Eu contei isso porque, em um momento do sonho, eu me vi em uma poltrona, numa parte aberta da pousada, com os meus dois irmãos e meu pai em pé, ao meu lado. Enquanto eu estava aliviado, eles estavam tensos. Estava relaxando na poltrona, pensando em quando iríamos embora e pensando porque estavam todos em pé e eu sentado. E toda vez que eu mexia o braço pra, sei lá, coçar o olho, o Daniel me segurava e falava: “não Rê, não mexe, calma, não faz força, você tem que descansar...” Dessa cena eu lembro direitinho. Eu ficava pensando “mas ué, só quero coçar o olho, estou bem!”. Mas eu não falava nada, ficava só pensando, não falava com eles. E eu ficava muito contemplativo com eles, só olhava e ouvia, era como se não fosse pra eu falar. De alguma forma aquilo fazia sentido.
Meu pai, também tenso, dizia que minha mãe já estava vindo com a tia Maria do Carmo (uma amiga dela que é como se fosse da família... né tia!). E eu pensava que era estranho, porque não vieram todos juntos... e porque elas estava indo até lá, porque esse drama todo?
Depois de acordado, quando contei essa parte, o Daniel logo lembrou dos momentos em que eu ficava querendo me soltar na cama e me contou. Aí a gente se ligou que, ali, eles se comunicaram comigo, mesmo inconsciente. O meu pai ter falado que minha mãe estava chegando com a tia Maria do Carmo, era porque não era permitido que ficassem mais do que três pessoas no quarto, e que minha mãe viria no próximo horário de visitas. Então eu fui percebendo que, em vários momentos desse sonho gigante, isso aconteceu, eles conseguiram “falar” comigo. A Jack conta que, às vezes, ela estava falando comigo e eu dava uma olhada pra ela. Na verdade não era bem uma olhada, ela diz que eu virava o rosto na direção dela, enquanto ela fazia massagem nas minhas mãos, que ela falava que pareciam um pão francês, de tão inchados que estavam! heheh Minha namorada né, pegou um pouco da minha criatividade! Heheh     
Bom, tem muita coisa nesse sonho doido. Não dá pra contar tudo de uma vez. Amanhã tem hospital cedo. É daqueles dias compridos, que tenho que tomar aquele remédio que demora e tal, então vou dormir. Mas dessa vez tive uma folga, a última vez que fomos lá foi domingo passado! Desde o transplante ainda não tinha ficado tanto tempo sem ir no hospital. Tomara que esteja tudo certo e eu só tenha que voltar daqui quinze dias! 
Então um beijo pra todo mundo e até mais!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Ooooopa!
                Meu, olha a coincidência. Ontem eu falei da dificuldade que os americanos em pronunciar o meu nome, né. Mas hoje foi demais. Eu fui perguntar pra mulher da recepção aqui do hotel se tinha alguma correspondência pra gente. Sempre chega coisas do hospital ou do home care, tipo bolsas de colostomia, gaze e tal. Aí foi assim:
- Tem aqui uma caixa pra vocês, mas eu preciso que sua mãe venha assinar.
- Hmmm, tudo bem.
Mas pensei um pouco e achei meio nada a ver, nunca tinham pedido pra minha mãe, especificamente, assinar. Aí eu perguntei:
- Mas porque tem que ser ela especificamente pra assinar?
- Porque a correspondência está no nome dela.
- Mas que estranho, normalmente as correspondências vêm no meu nome, pois vêm do hospital e sou eu quem está em tratamento.
- Mas dessa vez realmente veio no nome da sua mãe.
- Tem certeza?
- Sim, veja só, está escrito aqui, Renato. Só pode ser o nome dela.
Hahahah Foda! A mulher achou que Renato só podia ser o nome de uma mulher!
                E o pior é que quando eu falei que não, que eu era Renato, ela não acreditou. Falou que, para levar o pacote, eu deveria trazer uma identidade, pra provar. E eu ainda insisti, falei que minha mãe era a Silvia. E eu fiquei curioso e perguntei o porque de ela achar que Renato era um nome de mulher, e ela:
 - Ah, não sei, me parece. E eu nunca te vi antes aqui. Não podia entregar algo a um desconhecido!
- Estranho, eu estou aqui há três meses!
- Mas eu só trabalho de manhã. Você deve sair de casa apenas a noite.
Aí eu não agüentei, puta mulher estranha, cheia das “conclusões”!
- Como assim, só saio à noite, não sou morcego!
A mulher não gostou muito da piadinha (mas foi boa, vai!), deu um sorrisinho torto. Mas vai, numa boa, além de viajar, a mulher ficava querendo justificar a viagem! Bom, no fim tive que ir buscar minha identidade pra provar que eu era o Renato. Me lembrei da Edinanci, aquela judoca que teve que provar que era mulher! Heheh
                E, esses dias, eu comecei a fazer uns exercícios. Tem uma academiazinha aqui no prédio. É que eu estou muito fraco, não quero chegar assim no Brasil. Eu ando um pouco e minhas costas já começam a doer e eu tenho que me sentar. Isso tem a ver também com a última cirurgia nas costas que eu fiz, em junho. Não deu tempo de ficar zerado antes do transplante. Mas é complicado, eu não posso fazer tudo quanto é exercício. Tem as limitações pra evitar que dê algum problema com a cicatrização dos órgãos. Se eu fizer exercício mais forte do que meu corpo aguenta, eles falam que posso ter uma hérnia e tal.
                É aí que pega o lance. Ao mesmo que eu preciso fazer muito exercício, pra tudo quanto é parte do corpo, eu também não posso, pra não ferrar a recuperação do transplante. E o pior é que eu quero fazer os exercícios mais pesados, o que é estranho, já que sou um preguiçoso convicto. Mas consegui por na cabeça que tenho que mexer a bunda, senão vai demorar muito pra eu ficar bem. Minha mãe ficou preocupada, falando pra eu parar e só caminhar na esteira! Heheh. Achei engraçado... papéis invertidos por aqui! Amanhã vou ver com os médicos se tem um fisioterapeuta aqui. Aí é tranqüilo. Eu fiz muito tempo de fisioterapia esses anos. Funcionava sempre, eu me recuperava bem. Só que a cada nova cirurgia eu ficava podrão, aí começava tudo de novo. E depois da cirurgia das costas não tive muito tempo pra fazer fisio, pois sempre que começava, acontecia alguma coisa e eu era internado de novo. Olha, é sempre um saco arrumar ânimo pra começar a fisio. É como se desse pau no computador e você tivesse que começar a escrever aquele relatório gigante todo de novo, do comecinho! heheh
                Valeu aí e um beijo pra todo mundo!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Faaaala!
                Então, esses dias eu não escrevi porque não tinha muitas novidades por aqui. Estou naquela parte de ver se como mais e tal. Ficamos pensando em o que comer, já que ainda estou meio chato, não é tudo que eu tenho vontade de comer. Enjôo eu tenho só de vez em quando, e é sempre de manhã. Eu estou parando aos poucos com a nutrição enteral, por conta própria. Isso porque eu quero voltar a comer normal, como se não tivesse nada em mim. Aí, só se eu não consigo comer direito em alguma refeição, que eu tomo essa nutrição. Mas eu tenho me pesado e estou mantendo o peso. Não estou engordando ainda, mas pelo menos não emagreço, o que é bom sinal. Pra mim é mais importante, agora, voltar a comer normalmente do que engordar.
                O frio está cada vez pior. Agora, acabei de acordar (9h30) e está 14 graus negativos! Pois é! Não sei qual a graça de um frio desses! E ainda sem neve... os dias agora estão tendo céu bem aberto. Eu achava que quanto mais frio, mais nevava, mas não tem nada a ver, parece. Agora está muito mais frio do que nos dias que estava nevando. E ainda tem uns loucos que andam só de camiseta... mas beleza, cada louco com a sua loucura... vai que o cara curte passar frio... problema dele. Aliás, o motorista da van que dirige de manhã, esse é louco, sério. De manhã costuma estar bem frio, e o cara liga o ar quente da van... até aí, normal. Mas deixa a janela do passageiro aberta, abre a janela dele toda vez que a van para, e ainda coloca o braço pra fora... vai entender! Só sei que não vejo a hora de voltar pro Brasil, pro calor! Eu acho que já falei isso, mas... eu não nasci pra viver em país frio assim! E eu sempre reclamo pra caramba do calor absurdo que às vezes faz em São Paulo. Mas prefiro o calor, certeza!
                Hospital, agora, só na segunda-feira! Vai ser o maior tempo sem furarem minhas veias! Heheh. Maravilha! E é engraçado, quando eu vou tirar sangue, eu sempre fico meio tenso. Claro, eu não gosto e fico pensando em outras coisas... meio que me concentro pra amenizar a nóia que é, pra mim, tirar sangue. Só que as enfermeiras ficam querendo puxar papo! É um saco porque, pelo sotaque, percebem que eu sou gringo e começam a perguntar de tudo. Matam a curiosidade, e fazem todo tipo de pergunta, como por exemplo, qual tipo de espanhol é falado no Brasil! É, é foda, meu. E eu praticamente só respondo sim, não, ou algum som que represente o sim ou o não. Eu não faço o menor esforço pra ser simpático, mas não adianta! Umas pediam pra eu falar alguma coisa em português. Mas eu me controlava e não mandava ninguém à merda, falando que era bom dia em português!
Ah, e outra coisa, mas essa eu acho divertido, é quando eles vêm me chamar pro exame. Porque você chega, dá um oi no balcão e espera sua vez de ser atendido. E logo vem a mulher berrando “rinallllldo”, ou “reineidollll”, ou ainda “rinooolll”. Isso quando não falam algo que, pra mim, soa como um gemido. Aí eu dou uma olhada pela sala, pra ver se alguém se manifesta... e se ninguém levanta, eu vou, né! Mas isso eu não entendo... deve ter a ver com surdez. Porque eu sei que a sonoridade do “ão”, “ões”, é algo muito característico da nossa língua e eles não conseguem falar. Beleza. Mas qual o grande desafio de se pronunciar Renato? São todos fonemas que existem na língua deles! E é engraçado que eles sempre perguntam como se fala meu nome e ficam repetindo, tentando me imitar. Aí quando falam algo próximo a Renato, e eu falo “isso, muito bem!” pra eles pararem, nossa, a pessoa comemora! Fica realmente feliz por ter conseguido falar esse nome... exótico e praticamente impronunciável! Certeza que chegando em casa contam pros filhos sobre sua façanha! heheheh
É isso aí! Valeu e um beijo pra todo mundo! E logo mais eu estou aí... então aproveitem... a folga já está acabando! heheh


domingo, 5 de dezembro de 2010

Faaaaaaaala!!
                Hoje nevou muito, quase o dia inteiro! Até tiramos uma fotos. Aí a gente foi dar uma volta no centro lá, pra variar. Aí fomos à um restaurante japonês! Nossa, fazia tempo que eu queria comer comida japonesa! É um restaurante todo cheio das firulas e tal... mas nem era muito bom, na verdade. E é o único japa que eu vi pela cidade... tava meio vazio também... acho que é uma comida muito saudável pro americano! Heheh. Pelo menos deu pra matar a vontade. Mas não caiu muito bem. Acho que comida crua ainda é demais, por enquanto, por intestino novo. Ah, e Temaki, aqui, chama-se hand roll.
                Eu não vou escrever mais porque amanhã temos que acordar cedo pra ir ao hospital. Tenho que fazer o exame de sangue de novo, pra ver o nível do Prograf. E nesse frio é muito bom dormir, e muito ruim levantar. Muito! Devia ser proibido um frio desse! Se bem que neve eu achei legal. Nunca tinha visto antes! Próxima vez que nevar forte, igual hoje, eu faço um boneco Curintia!
                É isso aí, agora vão as fotos! Um beijo pra todo mundo!  


Essa foto é a vista da janela da sala. Tirei essa foto logo que acordei. Aí eu pergunto, como se animar pra agilizar alguma coisa, exercitar e tal, com esse frio? Mas eu achei legal ver neve! Foda vai ser quando a gente alugar o carro. Falam que derrapa pra caramba. E olha o cara do lado do Jeep. Ele ficou muito tempo pra tirar a neve do parabrisa e do capô...


Essa foto minha mãe tirou quando a gente tava esperando pra pegar a van. Olha o tanto de neve, eu estou com neve até a canela! O chato desse frio é que, pra sair, você fica um tempo só pondo roupa... é blusa por baixo, malha, casaco, luva, gorro... e ainda assim você sente frio. Eu vi em um programa que na Sibéria chega a 55 graus negativos! Aí é barbárie demais! Ah, e a única árvore que não fica totalmente pelada, só os galhos, sem nenhuma folha, é o pinheiro (tem um monte atrás de mim). Por isso que é a árvore de Natal, né! Eu não sabia! heheh.


Essa foto é alí também, esperando a van ainda. Eu estou com as pernas abertas assim porque estava com medo de escorregar! heheh.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Oooooooooopa!
                E aí, tudo certinho por aí? Por aqui está naquele esquema... tudo certo e nada resolvido! Heheh. Eu fui fazer um exame de sangue hoje cedo lá no hospital. Mas foi rápido, tirei sangue e pronto, nem tive que esperar o resultado. Aliás, esperar mesmo, só a van. Sério, puta saco... eu saí de casa às 9h e cheguei de volta às 11h. Mas o tempo que eu levei no hospital fazendo o exame foi 15 minutos, só. O resto foi esperando a tal da van. A gente sempre, durante a espera, acha que os caras esqueceram a gente, de tanto que demora! Inclusive, ontem a gente foi numa loja, que é o melhor lugar pra comprar casaco de frio. Tem desconto de até 80%, só que é longe, a van não leva. Mas o cara que estava dirigindo ontem vai com a nossa cara e falou que levava. Até aí beleza. Deixou a gente lá... a loja é gigante, deu até preguiça quando vi o tamanho! Aí, na hora de ir embora, eu fiz como sempre, liguei na central do hotel pra solicitar a van. A mulher falou “a van não vai até aí!”. E eu “vai sim, ele acabou de trazer a gente aqui!” heheheh. Acho que o cara deve ter levado um esporro. Bom, falei isso só porque ontem foi recorde de demora. Ligamos antes das 19h e a van chegou depois das 20h! E a gente esperando na porta do lugar!
                Amanhã vou ter que voltar lá no hospital. Tudo culpa desse remédio Prograf, que é o imunosupressor. O nível dele no meu sangue estava muito alto, aí falaram pra eu não tomar a dose da noite de hoje e fazer mais um exame de sangue amanhã, pra ver se diminuiu. Esse Prograf é bem enjoadinho... o nível dele está sempre ou muito alto ou muito baixo!
                Ah, e hoje, dia 2, faz três meses que a gente chegou aqui! Três meses! Barbarie, né! Agora a gente está mais perto da data de voltar pro Brasil do que da data em que chegamos aqui! O Rodrigo falou que devemos voltar em Janeiro, provavelmente no fim do mês. Mas como ainda não é oficial, não estamos com a passagem na mão e tal, eu prefiro não pensar muito nisso... pra não criar expectativa e ficar ainda mais ansioso! Na verdade, o que rolou é que mandei um e-mail pro Rodrigo perguntando sobre a bolsa de colostomia. Queria saber quando poderia tirá-la, já que sei que este é o último passo antes de voltar. Aí ele falou que “podemos trabalhar com a idéia de voltar em Janeiro”. Pra mim está ótimo. Quando eu cheguei aqui, minha meta era voltar antes do meu aniversário, que é no começo de março. Então beleza, estou no lucro! Heheh E ainda vou pegar um pouco do verão! É, porque eu realmente não nasci pra morar em lugar tão frio!
                E hoje é aniversário da minha vó Chafia, mãe da minha mãe. Ela me conheceu, mas eu não cheguei a conhecê-la heheh. É, porque eu nasci no dia 6 de março, e ela morreu dia 27 de Julho do mesmo ano, 1981. Mas é um lance engraçado isso. Eu não cheguei a conviver com minha vó, mas, de tantas histórias que eu ouvi minha vida toda (e o número de vezes que cada uma dessas histórias!), e com todas as fotos que vi dela... sei lá, eu sinto como se a tivesse conhecido.
                A vó Chafia morreu cedo, tinha 63 anos. Ela teve um problema no coração. E, na época, os médicos eram muito sem noção. Falavam que, por estar com o coração “fraco”, ela tinha que repousar, e não fazer esforço, exercícios... ficar o mais parada possível. Ou seja, o contrário do que é recomendado hoje. E isso foi muito ruim pra ela, porque ela sempre foi muito ativa, cuidou de quatro filhos e tal. Um lance que minha mãe conta que a deixou muito triste foi que ela teve, por orientação médica, que parar de dar aula. E ela amava ser professora. Isso, com certeza, a desanimou bastante, pois tirou uma parte muito importante de sua vida.
                Minha mãe contou também que, na semana em que ela morreu, ela estava muito preocupada comigo. Agora tenho que abrir um parênteses pra explicar. Eu nasci muito gordo, com 4.850 kg. Sim, eu já fui obeso! E de parto normal! Eu já cheguei chegando! Heheh. E eu era todo mole. Colocavam numa cama eu e, ao meu lado, a Ana Rosa (minha prima que nasceu 8 dias antes). Meu, a Ná ficava pulando, rindo e tal, enquanto eu ficava deitadão, quieto. Ué, mas é claro, eu ia ficar fazendo graça pro povo ficar dando risada? Claro que não, eu preferia curtir um ócio criativo! Hehehe Minha mãe diz que do jeito que me colocava, eu ficava, sem me mexer! E pra dormir, era só me por de bruço, dar 3 tapinhas na bunda, e pronto! Falou que não tinha erro, eu dormia na hora! heheh. E não chorava nunca. Ou seja, puta bebê gente fina! Ah, aí chegou a idade que os bebês começavam a engatinhar. E eu nada, continuava jogadão. Minha mãe chegou a me levar num médico, pra ver se estava tudo certo. Estava. O que rolou é que eu sou Corinthians desde que nasci mesmo... esse negócio de engatinhar, não era comigo. heheh. Sério, nunca engatinhei! Depois chegou a idade de aprender a andar. Aí sim, aí eu andei, normal, beleza! heheh.
                Mas voltando. A vó Chafia me via lá, esparramado, e devia pensar “ih, esse filho da Silvia... não sei, não!” heheheh  
                Minha vó era muito parecida com minha mãe. Eu me refiro, agora, à aparência. Quanto mais passa o tempo, mais ela fica parecida com a vó Chafia! E o engraçado é que a tia Ana, irmã da minha mãe, é igualzinha ao vô Aiçar. Nossa, na última vez que a vi fiquei impressionado, está muito parecida! Bom, eu acho... heheh
                Minha mãe conta também que minha vó adorava piano. Aí, comprou um piano super bonito e botou as filhas pra fazer aula! E minha mãe odiava, mas não podia nem pensar em parar de fazer a aula! Heheh. Outro lance é que minha vó ganhou do meu vô um LP que era pra ajudar a relaxar. E, naquela época, a vitrola era gigante, praticamente um móvel, que ficava em destaque na sala e tal. Aí ela colocava pra tocar o LP e a casa inteira ficava ouvindo “agora relaxe os ombros... agora sinta os seus cotovelos... relaxe o...” Minha mãe falou que ninguém dormia heheh.
                É que eu contando, ainda mais escrevendo, perde muito da emoção com que cada detalhezinho é contado e repetido pela minha mãe. Mas o importante é que, de uma forma ou de outra, minha vó sempre se fez presente, pra mim, através da minha mãe.
                Quando minha mãe casou e veio morar em São Paulo, ela sempre ia pra São Joaquim nas férias. E aí, no dia de ir embora, era um drama. Minha mãe conta que a vó já acordava chorando no dia que ela tinha que voltar. E ela ficava igual minha mãe, aquele nariz vermelho... heheh. Fico imaginando as duas se despedindo... devia ser uma choradeira...
Ah, enfim, tem muitas histórias da minha vó, muita coisa que minha mãe contou, que sempre trazia minha vó pro meio da gente. Por exemplo, sei que ela dizia muito “nem oito nem oitenta, a virtude está no meio termo.” E eu lembro sempre dessa frase, já que se encaixa em muitas situações, e acabo lembrando dela. Outra frase que ela falava bastante era “a lã não pesa pro carneiro”. Como que dizendo que, por exemplo, uma mãe se sacrificar pelo filho não é um problema, é natural pra uma mãe...  e essa frase minha mãe levou ao pé da letra... mesmo! heheh
Mas a forma que minha vó mais “aparece” é quando minha véia tá com medo, sei lá, quando tem alguma coisa ruim acontecendo, que ela fala “ai minha mãe, me ajuda!”. E esse último ano eu ouvi bastante “ai minha mãe”, viu! heheheh
É isso aí! Quis só homenagear a vó Chafia, já que ela tem ajudado bastante na minha recuperação, através dos "ai minha mãe, me ajuda!" da minha véia! heheh
Beijão pra todo mundo aí!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Faaaaaala!
Então, hoje me deu uma ansiedade absurda. Eu acordei umas 10h, normal, como acordo todos os dias. Tomei um leite, pra mandar os remédios matinais pra dentro. Dei um tempo (5 minutos) e voltei pra cama. Eu estou fazendo assim, porque eu durmo tarde e tenho muito sono. Mas se eu acordar muito tarde, perco uma refeição, por mais que eu não coma praticamente nada no café da manhã. O esquema é esse, eu acordo, como alguma coisa e durmo de novo. Dessa parte acho que vou sentir saudade quando voltar a trabalhar e tal heheh. Aí levantei já era quase 14h. Mas eu estava sentindo um lance muito estranho. Parecia que tem muita coisa dentro de mim querendo sair, senão ia explodir, sei lá! Era uma euforia misturada com vontade de chorar.
Resolvi então escrever. É, a idéia era usar a parte terapêutica da escrita! Heheh Tipo, colocar as coisas “no papel” pra ver se dava uma clareada nas idéias, evitando assim essa eminente explosão! Heheheh
Aí saiu esse poeminha. Está bem confuso, porque eu estou bem confuso. Se é um reflexo das minhas idéias, não tinha como ser diferente né, eu acho! E coloquei aqui no blog porque o blog é sobre isso né, minhas viagens, o que eu sinto, o que acontece por aqui e tal, então achei que tinha a ver. Espero que gostem! Se não gostarem, não tem problema... é só mentir! heheheh


Eu não entendo nada
Mas isso que sinto me faz parar
Parece uma euforia atravessada
Casada com uma vontade de chorar

Quero correr, gritar, berrar
Mas quero ficar quieto, profundo
Não quero falar com ninguém
Mas preciso saber do mundo

Quero, sempre quis, estar aqui
Trazer pra longe essas dores
E assim ter as alegrias que não vivi
Tirando da alma tantos dissabores

Mas onde começa essa luz?
Essas dores têm uma parte que é minha
Como um círculo que se seduz
Atrapalhando a força dessa linha

Algo aqui luta pelas sombras passadas
Eu quero sair, mas não quero me mexer
O amor acredita na vida e quer ser
Mas a dor ri e escolhe o nada

Algumas vezes a vida ganha
Outras eu nem percebo
A luz se apaga, me engana
E eu me fecho com medo

Mas o inverno eu não quero
O que é amor em mim, briga
Luta pra ser o que da vida espero
Sem esse amargo de tantas feridas

Vivo entre a euforia e o escuro
A vitória e o não posso
A antes e o que procuro
Os três anos e os próximos passos

Confuso, difícil entender
Vivo para clarear essa caminhada
E sonho que o tempo fará florescer
Uma força enorme, minha alvorada

É isso! Vou dormir porque amanhã tenho que ir no hospital cedo. Mas é só tirar sangue e voltar!
Beijo pra todo mundo!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Faaaaala!
                Então, tava olhando meus posts antigos... aí fiquei pensando em como eu sou bem criativo né, por exemplo, tenho várias formas de começar os textos... tem o “faaaaala”, o “oooooopa”, e o.... o “faaaaaaala”... enfim, gosto de variar bastante nas minhas saudações iniciais, pra demonstrar toda minha criatividade! Hehehe
                Hoje acordamos cedinho pra ir ao hospital... dia de consulta. Aí tirei sangue, falei com os médicos e fui tomar o Cytogam, aquele remédio que eu tomo uma vez por semana. Acabamos ficando até umas 16h lá. Os médicos falaram que estava tudo perfeito, tudo certo e tal. O único lance que eles ficam sempre mais em cima é o nível de Prograf (imunosupressor) no meu sangue. Se está muito alto eles baixam a dose do remédio, se está baixo, a dose aumenta... simples. Dessa vez o nível estava mais alto, aí baixou um pouco a dose. Por isso, eu volto lá na 5ª. feira só pra fazer um exame de sangue, mas nem tenho que ficar pra falar com os médicos, tiro o sangue e volto pra casa. Se tiver que mudar a dose eles me ligam ou mandam e-mail  avisando. Mas saí animado do hospital. É, porque no começo, eu tinha consultas duas vezes por semana. Dessas de perder o dia lá. Hoje, a coordenadora marcou a próxima consulta só pra daqui duas semanas. Isso quer dizer que eu não estou mais precisando de “cuidados” tão constantes. Animal, né!
                Todos os médicos que aparecem querem, antes de qualquer coisa, ver minha barriga. E todos eles falaram que a cicatriz está ótima e tal. Inclusive, um deles disse que durante dois anos a cicatriz iria continuar melhorando, ficando cada vez menos aparente. Achei legal, porque quando tirou os pontos a cicatriz estava horrível. Um lance quase preto, de tão escuro. Agora ela já deu uma boa melhorada, está mais pro vermelho. É, porque eu não me importo com o tamanho, até porque ela é gigante... mas só quero que ela fique mais clarinha, igual às outras cicatrizes da minha coleção! Heheheh
                E olha essa enfermeira de hoje, que sem noção. Eu fui tomar o Cytogam em um lugar onde ficam um monte de camas separadas por cortinas. E veio essa enfermeira me atender. Fazia quase um mês que eu não a encontrava. Aí ela perguntou quando que era minha próxima consulta, e eu disse, todo feliz, que seria só dali a duas semanas. E ela vira e fala “mas como assim eles falaram pra você voltar só em daqui duas semanas!?” E eu perguntei o porque de ela dizer isso, e ela “é, porque você está sempre tendo tantos altos e baixos e tal”. Meu, pode um negócio desse? Os médicos me examinam, vêem que estou bem, demonstram uma tranqüilidade pra eu ficar mais a vontade e otimista, e vem uma enfermeira imbecil falar que eles estavam errados, que eu precisava de mais cuidados, querendo dizer que eu estava mal. De onde a mané tirou isso, eu não sei. Mas como que ela fala assim com um paciente! Se você for pensar ainda que vários transplantados ficam meio depressivos, com medo de morrer e tal. Imagina, aí o médico fala isso pra animar o paciente, estimular seu empenho em uma recuperação, e a sem noção vai e fala uma dessa, praticamente dizendo “é, você está mal, os médicos estão errados!” Meu, juro que até agora não entendi de onde ela tirou isso “você está tendo altos e baixos!” Faz tempo que não fico mais mal. Sério, fiquei com muita raiva dessa mulher. Devia falar isso pros médicos, porque além de tudo ela pôs em dúvida uma decisão deles, né! Ah, bom, mas sussa... ainda bem que eu não sou um paciente em depressão! Estou sim é muito otimista. Ainda falta muito pra ficar zerado, mas sinto que estou no caminho... e os médicos também.
                Inclusive, já dei uma baita caminhada hoje. Fomos do hospital até o Taco Bell a pé! São uns quatro quarteirões. E depois voltamos a pé pro hospital, porque não tinha telefone por lá e precisávamos ligar pra van nos buscar.
                Então beleza, um beijo pra todo mundo aí!

sábado, 27 de novembro de 2010

Ooooopa!
                Então, hoje decidimos sair de casa um pouco. Desde que eu saí do hospital, não saí de casa... a não ser pra voltar ao hospital! heheh. É que esse frio não é muito convidativo... Bom, com o lance do shuttle, que não nos deixa com tantas opções de lugares pra ir, acabamos no shopping, mais uma vez. Estava lotado! Fomos na praça de alimentação e foi difícil achar mesa. Mas logo achamos uma e fui pegar minha comida no Taco Bell! Ah meu, agora abriu a porteira... estou tirando o atraso aqui! heheheh
                E está muito frio aqui (acabei de ver na TV que está - 4 graus!). Eu sei que já falei isso, mas é que, dessa vez, a gente ficou esperando a van por uns vinte minutos na calçada e eu quase congelei! Estava com tudo quanto é roupa quente que eu tenho, mas não adiantou! E pensar que ainda vai esfriar muito... eles dizem que o frio está só começando! Ah, e tinha um cara na calçada pedindo dinheiro com uma plaquinha em que se lia “Pra que mentir. É pra cerveja mesmo!” heheheh. E devia estar se dando bem, já que não tirava o sorriso do rosto. Tentei tirar uma foto, mas ficou embassado. E meu, tem uma galera que paga pra dar volta de charrete pelo centro. Sério! Enquanto a gente esperava a van, ficava vendo essas charretes. E se fossem fechadas, mas nada, são abertas mesmo.... vento de tudo quanto é lado! E são várias charrete, todas cheias, na maioria famílias! Na boa, que programinha, vai!
                Quando eu saí do hospital, da internação da cirurgia, eles deram vários papéis, um monte mesmo, falando de tudo, de como eu tenho que agir pra cada coisa que aconteça, detalhes sobre os remédios... enfim, tanta coisa que dá até preguiça de pegar pra ler. E a maioria das informações os médicos e enfermeiras já nos passaram. Tem até um, ou dois, vídeos que a gente é obrigado a assistir antes de sair do hospital, com as mesmas informações! Mas um dos textos me chamou a atenção. Fala sobre entrar em contato com a família do doador. Isso é um lance complicado de se pensar. Lá eles oferecem a possibilidade de conhecer essa família... há um departamento que faz o “meio de campo” entre as famílias do doador e do receptor. Mas, pelo menos por enquanto, não quero conhecer ninguém. Sei lá, tem várias coisas. Tipo, qual seria a reação dessa família? Vai que a mãe do doador encana comigo, se acha mais perto do filho ao meu lado e começa a viajar nesse sentido, me passando uma responsabilidade de amenizar a dor da perda dela. Claro, cada um com a sua loucura, mas quem disse que eu conseguiria me distanciar do problema dela, simplesmente pensando “eu não tenho culpa de nada!”.
                Eu me conheço, eu ia acabar me achando responsável por algo que não deveria. Deve ser meio pesado um encontro com a família do doador. Imagina, o moleque tinha 17 anos! Imagina o estado da família que perde um filho dessa idade. Eu acho que ia rolar um puta confusão emocional aqui dentro se eu conhecesse essas pessoas. Até porque as coisas não estão muito bem nesse sentido, já estou meio, sei lá, sensível demais, eu acho. Bom, resumindo, já que estou sendo bem confuso sobre esse assunto ne, é que eu tenho muito medo do que pode acontecer caso encontre a família do doador! Não tenho idéia... posso me sentir mal por ter esperado por aqueles órgãos, por ter ficado feliz quando recebi a notícia de que havia “aparecido um doador”! Se você for pensar bem... como assim “apareceu um doador”? Morreu um moleque, tem muita coisa envolvida né, muita dor... e eu comemorando! Por isso que eu prefiro nem pensar nisso. É difícil você simplesmente ser racional e pensar o óbvio, que eu não tenho nada a ver com a morte do cara, mas a cabeça não vai só até onde a gente quer... na verdade ela enche o saco, às vezes, né! heheheh
                Bom, eu já tenho como viajar em pensamentos ruins sem conhecer essa família. Imagina se eu conhecesse! Eu ia ficar doido! Melhor ficar quieto, na minha. Já tenho muita coisa pra pensar! Quando voltar ao Brasil vou precisar retomar minha vida, que está, de certa forma, estacionada, há três anos né... enfim, tem muita coisa mesmo pra eu pensar e começar a resolver, não preciso arrumar mais coisa pra cabeça, pelo menos não agora!
                Um lance que eu tenho notado é como meu humor muda durante o dia. É impressionante! Eu sempre acordo meio de bode, sem ânimo pra nada, meio enjoado... é difícil sair da cama. Mas conforme o dia vai passando eu vou melhorando, até que à noite eu estou bem, animado e tal. Por isso, inclusive, que é sempre à noite que eu escrevo no blog. O ruim é que eu perco uma parte grande do dia, até eu começar a me sentir bem e funcionar. Aliás, tem um casal de amigos aqui, a Alessandra e o Renato... eles moram aqui em Indianapolis. São amigos do Marcel, filho do Álvaro, meu tio, marido da Tia Flavinha. Eles são muito gente fina, já nos visitaram quando eu estava no hospital e tal. A Alessandra e minha mãe se falam sempre, já estão bem amigas. E eles sempre nos convidam pra almoçar lá, ou oferecem carona pros lugares. Seria muito legal, mas eu estou sempre nessas, às vezes bem, outras vezes mal... Então é complicado por enquanto, marcar algum programa com outras pessoas, porque eu nunca sei como vou estar me sentindo, principalmente no começo do dia.
Mas, de qualquer forma, estou me sentindo melhor a cada dia. É bem suave a diferença, essa melhora de um dia pro outro, mas eu sinto. E isso é muito importante, pra eu me sentir estimulado a continuar nesse processo chato que é me recuperar. Inclusive, às vezes... ou muitas vezes, acho que essa melhora é só na minha cabeça, na verdade. É como se eu "inventasse" algum aspecto em que eu esteja melhor, só pra me convencer e me animar em relação a recuperação. Sério, e isso é importante, pra caramba! Então, se for pensar, nem sempre enganar é algo negativo né... eu tenho me enganado muito esses últimos dias, viu! heheheh
                É isso aí! Um beijo pra todo mundo e valeu!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Faaala!

                Nossa, acabei de sair do banho. Meu, do jeito que eu estou em relação à força física e tal, é um puta exercício tomar banho, vocês não têm noção. Eu saio podre, de verdade. Me joguei aqui no sofá e agora pra eu levantar... vai demorar! É como se eu tivesse feito o exercício do dia! E o chuveiro aqui não é muito bom. Ele é baixo (bate no meu queixo!), então eu tenho que agachar pra molhar a cabeça. E é fraquinho, não é aquela ducha classe, que não dá vontade de sair debaixo! Minha mãe até falou sobre nos mudarmos para outro apartamento... Mas acho que devem ser todos assim... com certeza a altura é a mesma!
                Aliás, isso é um problema que eu encontro em vários lugares. E eu não entendo! Porque deixar um espação entre o chuveiro e o teto! É pro teto ficar sequinho? Ah vá! E eu não sou o cara mais alto do mundo! Aqui nesse prédio mesmo, sempre encontro no elevador uns moleques mais altos que eu, ou pelo menos mais altos que o chuveiro! Pra mim isso não é burrice do cara que instalou. Foi preguiça de pensar. Sério, por exemplo: lá na fazenda, em São Joaquim. Na primeira vez que fomos pra lá, quando a casa estava recém-construída, mas ainda sem algumas coisas, tinha um chuveirão ao lado da piscina. Aquelas duchas pra você tirar a sujeira antes de entrar na água... e que as mulheres usam pra tirar o cloro do cabelo quando saem da piscina. Digo mulheres, mas claro que os sãopaulinos também vêem nela essa finalidade “importantíssima” heheheh. Mas então, aí era daquelas que parecem uma tampa de panela, bem grande... animal! Eu vi de longe, e nesse dia estava um puta calor, a piscina ainda era só um buraco de cimento... não pensei duas vezes, fui seco entrar na ducha! Aí, quando chego perto, vejo que a parada bate no meu ombro! Sendo que nem tinha teto né, era ao ar livre! heheh Mas foi sussa, o cara concertou rapidinho, emendou lá um cano e beleza! Mas não consigo deixar de pensar, o que levou o cara a colocar o lance naquela altura, sendo que era mais baixo que ele próprio! Não é preguiça de pensar? Só pode ser!
                Ah, e acabei de almoçar (era 15h)! Comi bife a milanesa, o prato que eu mais gosto, com o famoso arroz com macarrãozinho da minha véia! Delícia! E, pelo menos por enquanto, meu paladar continua o mesmo... minha comida preferida continua a mesma, eu não gosto de dobradinha, viu Carol! Heheh O lance sobre comer não é mais o que comer. Eu sinto que posso comer de tudo. Ou quase tudo. E os médicos não me passaram nenhuma restrição também. Então o que pega mesmo é a quantidade... eu ainda não estou comendo o mesmo tanto que eu comia antes. No almoço é quando eu como mais. Mas é que eu preciso comer muito pra poder ficar sem a nutrição enteral, já que, mesmo passando a maior do tempo parado, eu gasto muita energia na recuperação.
E minha mãe é demais, ela foi ao supermercado comprar carne pra fazer o bife e tal, sendo que está muito frio aqui, tadinha! Sério, está complicado sair de casa. Por mais que todos os lugares tenham aquecedor, esse pequeno trecho entre, por exemplo, o prédio e a van, dá medo! E eu nunca fui pra um tão lugar frio, que nevasse e tal. Inclusive, já nevou um dia, de madrugada, mas eu não vi. Falam que no Natal sempre neva aqui, e que em janeiro o bicho pega. O foda aqui é o vento. É daqueles que cortam a pele. Vou ter que usar meu gorro “Chaves”! Heheh E tem uns americanos, na verdade vários, que eu não entendo! Minha mãe falou que no mercado tinha uns caras de bermuda, camiseta e chinelo! E é normal, a gente vê um monte de gente andando assim, umas mulheres de saia... vai entender! E lembro que quando estava muito calor, você via uns caras de moletom na rua... uns até de gorro! Não sei qual que é a viagem dos caras... bom, o gorro é coisa de moleque querendo fazer um estilinho! Nada a ver, mas beleza. Agora, o que leva a pessoa a colocar casaco quando você passa calor até pelado, eu não sei!
                É isso aí. Bom, acho que deu pra perceber que hoje não tem muita novidade, né! heheh. Eu fiquei em casa e tal... Amanhã eu teria consulta no hospital, mas como é feriado de Thanksgiving, eu só volto lá na 2ª. feira. Parece que amanhã não abre nada na cidade, nenhum restaurante... nada mesmo! É tipo Natal. Eita, agora que eu lembrei, tenho que ligar pro casal que convidou a gente pra passar o feriado com eles. Se não ligar fica chato, né. A gente, provavelmente, vai encontrá-los nas consultas...
                Então beleza, um beijo pra todo mundo aí!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ooooooopa!
               
                Hoje é dia histórico, meu! Acabamos (era 19h) de chegar em casa, sabe de onde? Do Taco Bell!!!!! É meu, acabei de comer lá! Animal! heheheh Nossa, muito bom, e caiu bem no estômago, não deu nada! Delícia! Minha mãe nunca tinha comido comida mexicana e adorou também! Só não comi mais pra não arriscar, mas agora vou voltar lá muitas vezes, com certeza! É meio simbólico até eu conseguir comer lá! E sem esforço nenhum, comi com vontade, como nos velhos tempos... só um pouco menos!
                E antes disso a gente estava no hospital. Chegamos às 8h e ficamos até as 17h! Puta saco! Hoje, além do exame de sangue, teve aquele escope (o exame da camerazinha), e eu tive que tomar o Cytogam, que é uma vez por semana e fica rolando por umas quatro horas. Isso que atrasou mais. Eles me colocam numa cama e tal, mas não rola de dormir porque eles vêm a cada meia hora tirar meus sinais vitais. Agora minha mãe está agitando um lance pro jantar! Quero comer bastante pra tirar esse tubo! Aliás, eles trocaram o tubo, que estava com uns furos, e aí vazava e tal, tava um saco pra tomar a nutrição. Agora eles colocaram um que é bem melhor. O que fica preso em mim é só o encaixe do tubo, tipo um botão (parece aqueles bicos que por onde você enche, sei lá, uma bóia de criança, por exemplo). Aí, na hora que eu vou tomar a nutrição, eu encaixo o tubo ali e pronto. Quando termina, eu tiro e beleza, é bem melhor!
                Ah, e hoje aconteceu um lance engraçado enquanto a gente esperava pra ser atendido. A gente fica numa sala com um monte de paciente de transplante na mesma que eu, voltando pra consultas. E hoje a gente tava conversando, quando um cara que tava com a mulher sentado na nossa frente perguntou que língua estávamos falando. Aí começamos a conversar, ele falou que tinha transplantado o fígado e tal, falei da minha cirurgia e boa, ficou nisso. Ele foi chamado pra ser atendido. Uma meia hora depois eles passam pela sala e dão tchau, de longe. Mas quando eu vejo, eles estão voltando, vindo falar com a gente. O cara e a mulher convidaram a gente pra passar o Thanksgiving com eles! Pra eles é a data mais importante do ano, depois do Natal. Pra gente acho que é o Dia de Ação de Graças. Deram endereço e telefone, falaram que a gente podia dormir na casa deles, que seria uma honra nos receber e tal... Eita! Acho que eles pensaram “coitados, passar essa data sozinhos”. Heheh. Mas nem me importo né, essa data não tem nada a ver pra mim. Mas achei legal o convite. Era um casal de uns 45, 50 anos. Doido né? Nem nos conheciam direito e convidaram pra dormir na casa deles! Mas a gente não vai, não. Acho que não tem muito a ver, eu ia ficar meio sem graça. E também é uma cidade a três horas daqui, chama Akron. Sei não, acho que é alguma coisa com minha mãe, a véia é cativante! É, porque enquanto eu estava lá internado, ela fez um monte de amizade, a mulher do caixa do restaurante não deixou ela pagar umas cinco vezes... vou te falar, com o seu jeitinho, ela conquista todo mundo! heheheh
                Bom, é isso aí, hoje foi meio cansativo, vou dormir! Eu estou acordando 10h, mas é ruim porque atrasa todas as refeições, eu tomo o café e demoro a ficar com fome pro almoço, aí eu acabo comendo menos. Se eu começar o dia mais cedo, acho que eu acabo comendo mais durante o dia! Vamos ver...
                Ah, e nos exames que eu fiz deu tudo certo. Foi o próprio Rodrigo que nos atendeu hoje. Normalmente são os médicos da sua equipe.
                Beijo grande pra todo mundo!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

E aí!

                Então, hoje está sendo um dia mais tranqüilo pra mim! Pelo menos não vomitei (desculpa, espero que não esteja comendo enquanto lê heheh). O pior momento do dia, nesse sentido, é de manhã, quando acordo. Acordo sempre meio enjoado, mas hoje, como disse, o enjôo não foi tão intenso. Isso me fez acreditar que pode ser que, talvez, quem sabe, de repente, quiçá, eu melhore um pouco a cada dia! Heheheh E bem lembrado pela minha mãe, hoje é o primeiro domingo que passamos em casa depois da cirurgia!
                Eu gosto dessas coisas de “primeira vez que...” Isso me deixa animado a buscar outras primeiras vezes! Heheh Claro que é bobeira, eu sei, mas eu gosto! E o que não falta é coisa que eu não faço a muito tempo né! Por exemplo, hoje foi a primeira vez que eu dormi uma noite inteira, inteirinha, sem precisar levantar pra esvaziar a borseta! Eu disse que essa borseta é mais sussa que a outra, mas ainda assim, umas 2 vezes mais ou menos, eu levantava a noite pra esvaziá-la. Mas hoje não, ela não encheu... em todos os sentidos! Heheh Eu quero agora a primeira vez sem nenhuma nutrição além da normal, por boca e tal. Aí, depois, vou querer a primeira vez sem nada preso em mim... isso vai ser quando tirar essa borseta. Claro, a primeira vez em um ano. Ih, tem tanta coisa que eu não faço há tempos. Na verdade algumas eu nem sinto tanta falta, como imaginei que sentiria.
                Por exemplo, quando começou tudo, eu não podia beber. Nossa, era um desespero. Parecia que a balada perdia o sentido, me dava um bode gigante, tanto que rolou um lance meio nada a ver naquele ano, em 2008. Lá pra agosto, o Paulo Hoff, pelos exames, viu que a quimioterapia não estava funcionado, o tumor não havia diminuído nem um milímetro. No fim da consulta em que me falou isso, ele disse que iria pesquisar qual seria o próximo tratamento e que era pra eu voltar em quinze dias, quando ele teria já definido qual caminho seguir. E eu, ao invés de ficar preocupado, já que ali eu tinha a primeira mostra de que o tumor não tinha um tratamento capaz de combatê-lo, eu comemorei! Sério! A primeira coisa que eu pensei foi “opa, sem quimio... posso beber! Vai curintia!” heheh  
Aí marquei uma balada, chamei todo mundo pra ir num pico que eu ia muito, e enchi a cara! Mas enchi a cara mesmo, tomei todas! Heheheh. Na hora foi animal, mas hoje fico pensando... o que eu fui comemorar? O primeiro fracasso do tratamento? É que era muito ruim, muito difícil não beber, então poder beber foi mais importante pra mim do que o tratamento. E eu também não achava que ia dar uma merda tão grande. Aliás, com todo mundo é assim né, você nunca imagina que uma coisa muito grave vai acontecer com você! É doido isso, acho que é um medo de encarar que nos leva a ignorar a possibilidade de algo ruim acontecer. Ou, sei lá, de repente ficamos com preguiça mesmo... é mais fácil não pensar em nada e sair andando... e cagando! Heheh. Mas não estou aqui fazendo apologia ao receio, medo de arriscar e a vida certinha e tal! Não acho que as pessoas devam andar preocupadas com tudo, sem relaxar. Mas, sei lá, um pouco de precaução... e canja de galinha não faz mal a ninguém, como diria Jorge Ben né! heheh.
                Por exemplo, em 2007 eu fui seqüestrado, naqueles esquemas de seqüestro relâmpago. Os caras me pegaram saindo do trabalho e ficaram rodando umas quatro horas comigo até parar num supermercado e sacar R$600,00. Depois chegaram uns amigos e eles foram embora com eles, pelo menos o meu carro ficou comigo. O lance é que eles falam um monte de coisa, parte pra te apavorar, e outra pra tentar descobrir mais sobre você, tipo, onde mora, se mora sozinho, enfim, pra ver o que mais eles podem tirar de você. Os caras são profissionais mesmo. Mas eu nunca imaginei que pudesse ser seqüestrado, então fiquei muito assustado, os caras ficavam dando umas porradas com o revolver nas minhas costas. Aí eu quase dei respostas que iam me ferrar ainda mais. Por exemplo, era dia 2 do mês, eu tinha acabado de receber meu salário (falei! os caras são profissa) e eles perguntaram quanto eu tinha na conta. Eu, trouxa, disse que tinha gastado tudo por “x” razões e tava com uns 100 ou 200 reais na conta. O que eu tinha que saber é que eles tinham um limite de saque de 600 reais. E pronto, sacariam esse limite, independente do que eu teria. E antes, eles veriam o extrato da minha conta pra ver o quanto poderiam sacar. Ou seja, não adiantaria eu dar de malandrão e falar que tinha só 100 reais! Só valeu um comentário “ah sei, 100 reais né. boy cú!” e umas porradas a mais. Ah é, me chamavam só de boy cú!
                Voltando. Eu, no começo, sentia muita falta de uma brejinha. Mas agora, esse último ano, tem sido sussa não beber. Acho que é porque tem, ou tinha heheheh, coisa bem mais complicada do que isso que eu não podia fazer, que me impedia de sair e tal. Sei lá, só sei que acostumei e não me preocupava tanto. Lembro, por exemplo, no chá de bebê da Marina, foi muito mais casca não poder comer a feijoada do que não tomar uma breja. Mas, claro, assim que eu puder, vou querer voltar a tomar minha cervejinha! Eu gosto ué! No primeiro encontro com os médicos eu já perguntei sobre isso. Porque eu vou tomar um remédio por uns bons anos, senão a vida toda né. Aí eu fiquei meio noiado! Mas sussa, eles falaram que eu posso beber. Claro, só não rola barbarizar sempre, como eu fazia antes! É só eu fazer o que todo mundo deveria fazer, que é tomar umas águas entre as cervejas. Aí não tem erro! E ainda você acorda sem ressaca! Heheh
                É isso aí! Amanhã tem consulta no hospital, logo cedinho! É um saco, demora muito. Uma hora vai passar a ser uma vez por semana, ao invés das duas vezes atuais. Não vejo a hora!  Valeu aí todo mundo e um beijo! Saudades!